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Justiça acolhe pedidos do MPF para proibir de turismo ilegal em território indígena no Pará

Chalé construído no território Wayamu era usado para atividade turística na área MPF/Divulgação A Justiça Federal acolheu pedidos do Ministério Públic...

Justiça acolhe pedidos do MPF para proibir de turismo ilegal em território indígena no Pará
Justiça acolhe pedidos do MPF para proibir de turismo ilegal em território indígena no Pará (Foto: Reprodução)

Chalé construído no território Wayamu era usado para atividade turística na área MPF/Divulgação A Justiça Federal acolheu pedidos do Ministério Público Federal (MPF) e tornou definitiva a proibição de atividades turísticas irregulares promovidas pelas empresas Acute Angling e Amazon Peacock Bass na Terra Indígena Nhamundá-Mapuera, na região do Território Wayamu, no noroeste do Pará. A sentença confirma a decisão liminar de setembro de 2022, que já havia suspendido as operações no local. ✅ Clique aqui e siga o canal g1 Santarém e Região no WhatsApp A ação judicial movida pelo MPF apontou que as empresas operavam sem licenciamento do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), sem autorização da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e sem o estrito cumprimento do direito à Consulta Prévia, Livre e Informada (CPLI) dos povos indígenas afetados. As empresas Acute Angling e Amazon Peacock Bass não se manifestaram publicamente sobre a decisão judicial. Centralidade da CPLI Um dos pontos centrais da sentença foi a análise sobre a relação entre as empresas e as comunidades locais. A defesa alegou que a presença na área decorria de convites e acordos feitos com algumas lideranças indígenas. No entanto, a Justiça Federal rejeitou esse argumento como base legal para a exploração econômica. Na fundamentação, a Justiça Federal enfatizou que a legislação indigenista e a Convenção nº 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) exigem que a consulta seja ampla, abrangendo toda a comunidade afetada e respeitando seus protocolos próprios de deliberação. A sentença esclareceu que "acordos informais com lideranças isoladas" não possuem validade para autorizar a exploração da terra indígena por terceiros, nem dispensam a necessidade de regulação estatal. Proibições Ao julgar a ação, a Justiça Federal confirmou a condenação das empresas e de seus sócios a uma série de obrigações para impedir a continuidade da exploração comercial na Terra Indígena Nhamundá-Mapuera ou em qualquer outra área do Território Wayamu. Ficou determinado que, sem a CPLI e sem as licenças estatais, os réus não podem: Realizar qualquer atividade turística na região; Instalar ou manter pousadas e acampamentos; Vender pacotes turísticos relacionados à área; Adentrar o território indígena sem autorização da Funai e anuência das lideranças e das associações representativas locais. A sentença também obriga a empresa a cancelar pacotes pendentes e remover da internet qualquer publicidade referente à pesca no Rio Bateria. Danos materiais e morais Embora tenha confirmado a ilegalidade administrativa e a necessidade de paralisação das atividades, a Justiça julgou improcedente o pedido do MPF para condenar os réus ao pagamento de R$ 3 milhões em indenizações. Da sentença, ainda cabe recurso. VÍDEOS: Mais vistos do g1 Santarém e Região