Poluição por gás mercaptano atinge todo Vale do Aço

 
 
 

A população da Região Metropolitana e dos distritos e municípios do Colar Metropolitano do Vale do Aço foi dormir sobressaltada na noite desta terça-feira (12). Um intenso cheiro de gás mercaptano (possivelmente gerado no processo de produção de celulose) foi percebido fortemente em grande parte de Ipatinga e alguns bairros de Coronel Fabriciano, Timóteo e Santana do Paraíso.

A percepção do gás foi sentida nos bairros e localidades cortados pelo Rio Piracicaba e Ribeirão Ipanema, afluentes do Rio Doce. Se a fonte emissora realmente for o digestor da Cenibra (onde se realiza o cozimento dos cavacos de madeira para transformá-los em pasta de celulose), um especialista consultado pelo Carta de Notícias não descarta que as condições climáticas – com as constantes chuvas – pode ter contribuído para que o gás se dispersasse. “A planta da Cenibra fica ao lado do Rio Doce. O gás pode ter sido conduzido pelas correntes de ventos geradas nos leitos dos cursos d’água” – cita.

As empresas siderúrgicas regionais, Usiminas e Aperam, emitiram comunicado hoje pela manhã (12), descartando a produção ou utilização deste tipo de gás no processo siderúrgico. Consultada nesta madrugada, a Cenibra não se pronunciou até o momento.

EFEITOS

A inalação do gás gerou em várias pessoas ardência nos olhos, nariz e garganta. Segundo a literatura química, “se inalado em grande concentração, o mercaptano é altamente irritante quando em contato com os tecidos úmidos, como olhos, pele trato respiratório superior. Pode induzir quadros de cefaléia, tontura, tremores, alteração de coordenação, náuseas, vômitos, coma e até mesmo óbito”.

ORGÃOS OFICIAIS INVESTIGAM

A Prefeitura de Ipatinga informa que está empenhada junto aos órgãos ambientais da região para esclarecer as reais causas do incidente e apurar responsabilidades. Segundo a prefeitura, a Polícia Ambiental da PMMG está realizando um levantamento, para verificar os locais afetados pelo mau cheiro. Um boletim de ocorrência está sendo elaborado e, tão logo os levantamentos sejam concluídos, será encaminhado ao Núcleo de Emergências Ambientais, sediado em Belo Horizonte, para as investigações cabíveis quanto à origem do odor.

EMPRESAS DO VALE DO AÇO SE PRONUNCIAM

Empresas regionais se manifestaram em relação ao ocorrido.

USIMINAS

Em comunicado distribuído à imprensa no início da manhã, a companhia cita:

“A Usiminas informa que recebeu questionamentos da comunidade no fim da noite de terça-feira, dia 11 de fevereiro, sobre um incômodo gerado por um mau cheiro em algumas cidades do Vale do Aço. Conforme procedimento acordado com a comunidade, imediatamente as equipes técnicas da empresa foram acionadas e realizaram a aferição no entorno da usina e não foi identificada a presença de nenhum tipo de gás. Em relação ao odor, a empresa esclarece que não é proveniente de nenhum processo siderúrgico. A Usiminas reitera seu compromisso de diálogo e transparência com a comunidade e permanece à disposição”.

APERAM

Já Aperam South America informa:

“A Aperam esclarece que, em relação ao mau cheiro percebido na noite desta terça-feira (11) pela comunidade do Vale do Aço, incluindo a região Centro Norte de Timóteo, não houve nenhuma emissão de gases e odor oriundos do seu processo padrão de produção. Portanto, a empresa ressalta que o ocorrido não tem relação com seu processo industrial em Timóteo. A Aperam se coloca à disposição da comunidade e reafirma o seu compromisso com a responsabilidade socioambiental, pautado no diálogo e transparência dos seus processos”.

COPASA

A Copasa que envolve produtos químicos em seus processos de produção também esclarece que as unidades de tratamento de esgoto de Ipatinga, Coronel Fabriciano e Timóteo operam dentro da normalidade, sem qualquer relação com o fato apresentado.

CENIBRA

A Celulose Nipo-Brasileira S.A. (Cenibra), consultada ainda de madrugada por nossa reportagem, não se manifestou até o fechamento aprazado para o fechamento desta matéria.